Divulgamos o novo informe de nossa série extensionista relacionado a temática da evolução dos salários industriais nas diferentes regiões geográficas do país, realizando um comparativo entre o período imediatamente anterior a pandemia com o período de expansão da Covid-19, agora com com os resultados dos estados da região norte do país.
Conclusões quanto a formação dos salários das divisões industriais nos estados da região norte antes e durante a pandemia da Covid-19:
- Período de 2019 a 2020
- Diferentemente das demais regiões do país, todos os estados do norte registraram aumentos nas três variáveis em análise entre 2019 (pré-pandemia) e 2020 (primeiro ano da pandemia), mesmo que de forma bem sutil. Esta informação será o parâmetro inicial para as análises dos coeficientes betas das regressões múltiplas (método stepwise) em sequência.
- As maiores elevações de salários acompanhadas também da maior elevação proporcional ao próprio estado no número de Pessoal Ocupado e de seus VTIs foram nos estados do Acre + Amapá (o Seade adotou a metodologia de somar os dois estados, sendo necessário analisá-los conjuntamente) e Roraima. Os demais contabilizaram aumentos nas três variáveis de forma amena.
- Dentre as equações preditivas com normalidade aptas para análise de seus coeficientes betas (sem normalidade para o ano de 2019 e 2020 do Amazonas e 2019 do Tocantins) relacionadas à variável independente VTI, observou-se a retração nos betas dos estados do Acre + Amapá (b=0,134 para b=0,055), Pará (b=0,10 para b=0,05), Roraima (b=0,385 para b=0,146) e Rondônia (b=0,082 para b=0,076). Neste sentido, apesar dos aumentos no período observados em seus VTIs, suas elevações foram menos impactantes em 2020 se comparado a iguais elevações em 2019.
- Sob a ótica neste momento dos coeficientes betas da variável Pessoal Ocupado, exatamente o contrário aconteceu: elevação dos betas dos estados do Acre + Amapá (b=10,8 para b=17,9), Pará (b=11,8 para b=19,1) e Rondônia (b=14,4 para b=15,3) e retração do beta de Roraima (b=16,9 para b=10,8). Portanto, os aumentos do número de contratações reduziram seu impacto na elevação dos salários industriais deste último estado, e ganhando expressão nos primeiros estados.
- O Amazonas, estado com economia mais fortalecida da região, angariou sua maior alta salarial (88,72%) na divisão industrial de Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, acompanhado também pelas maiores elevações nesta mesma divisão nas variáveis de Pessoal Ocupado (33,72%) e VTI (56,22%). A divisão de Fabricação de produtos de minerais não metálicos também registrou forte elevação em seu VTI (83,61%). O destaque da baixa no estado foi para as três variáveis relacionadas a Impressão e reproduções de gravações.
- O Pará obteve duas divisões em destaque, porém em sentidos opostos. Registrou queda expressiva nos Salários Totais, Pessoal Ocupado e VTI a divisão de Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis. Estas baixas, todavia, não foram suficientes para regredir a evolução dos aumentos puxados por algumas outras divisões industriais. Destaque para as elevações do VTI da divisão industrial de Metalurgia e Fabricação de Produtos de Metal (exceto máquinas e equipamentos).
- Rondônia registrou uma divisão industrial em destaque na elevação das três variáveis: Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, acompanhado pela maior variação percentual em VTI da divisão de Metalurgia (184,10%). Para o estado de Roraima, a divisão em destaque foi a de Produtos Alimentícios, elevando no período os seus salários industriais em (32,51%) e seu em VTI (84,40%). A baixa direcionou-se para a Fabricação de produtos de minerais não-metálicos, com retração de 32,88% em seu VTI. Mas não forte o suficiente para puxar para o campo negativo o VTI de todo o estado.
- Tocantins destacou-se na forte elevação no período das três variáveis na divisão de Impressão e reproduções de gravações (interessantemente). Houveram outras segmentações industriais com baixa em todas as variáveis, porém com valores menos significativos.
- Demais análises de variações para o período dentre as divisões industriais de cada estado podem ser observadas nas tabelas deste estudo.
- Período de 2020 a 2021
- Na consideração da evolução dos Salários Industriais, número de Pessoal Ocupado e VTI dos estados do norte entre os anos 2020 (pandemia com lockdows) a 2021 (pandemia com início das flexibilizações sanitárias), houve a permanência das altas de em todos os estados, com a única exceção de uma leve baixa no número de Pessoal Ocupado em Roraima. Esta informação será o parâmetro inicial para as análises em sequência dos coeficientes betas de suas equações preditivas via metodologia das regressões múltiplas com procedimentos stepwise.
- Ao contrário do período anterior, agora em quase todos os estados as elevações nas variáveis em análise foram quantitativamente mais expressivas, com especial destaque ao estado do Amazonas. De forma amena foram as elevações de Roraima quanto aos Salários Industriais e VTI.
- Considerando as equações preditivas aprovadas na sua normalidade dos resíduos (refutadas como não normais as equações de 2021 do Pará e dos anos de 2020 e 2021 do Amazonas) pertinentes a variável independente VTI, acusou elevação somente no beta dos estados do Acre + Amapá (b=0,055 para b=0,209) e retração nos estados de Rondônia (b=0,076 para b=0,056) e Roraima (b=0,146 para b=0,09). Portanto Acre + Amapá reverteram a situação do ano anterior, potencializando mais as elevações de seu VTI sobre os aumentos observados nos seus Salários Industriais, enquanto Rondônia e Roraima continuaram na toada de baixa de seus betas, reduzindo ainda mais o potencial de elevação dos Salários Industriais destes estados através das elevações registradas nos seus VTIs. Em Tocantins a regressão múltipla stepwise eliminou a variável VTI do estado para 2020 da equação preditiva, inviabilizando um comparativo com 2021.
- Na observação da variável independente Pessoal Ocupado, todos betas das equações com normalidade dos resíduos acusaram elevação, referente aos estados de Acre + Amapá (b=17,9 para b=23,2), Rondônia (b=15,3 para b=19,2), Roraima (b=10,9 para b=13,9) e Tocantins (b=25,7 para b=26,9). As equações de 2020 e 2021 do Amazonas, assim como a equação de 2021 do Pará não demonstraram normalidade, inviabilizando as análises comparativas. Considerando que Roraima foi o único estado com redução do número de Pessoal Ocupado em 2021, a alta de seu beta potencializou ainda mais seus impactos na redução dos Salários Industriais do estado, mas que não foi forte o suficiente para acusar baixa na contabilização total de seus salários pagos. Nos demais estados citados, a alta do beta expandiu mais os salários pagos em suas divisões industriais que no comparativo ao ano anterior.
- O destaque nas divisões industriais do Acre + Amapá para o período foi a elevação em 95,47% do VTI da Fabricação de produtos de minerais não metálicos. Essa mesma divisão foi também destaque no VTI do Amazonas junto a elevação do segmento de Metalurgia (ambos com alta de 64,4%, aproximadamente) e em Tocantins (183%), em conjunto a Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (188%). As maiores elevações salariais no Amazonas, todavia, foi para a divisão de Fabricação de máquinas e equipamentos (alta de 44,85%) e em Tocantins para a Fabricação de produtos de borracha e de material plástico.
- No Pará, a divisão de Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis que havia sido destaque na baixa expressiva nas três variáveis dentre 2019 e 2020, contrastou com o período atual (2020 a 2021) obtendo altas exponenciais nas três variáveis, elevando em 541% seus Salários Industriais, em 193% seu VTI e em 3.326% o número de Pessoal Ocupado (merecendo este último dado alguma análise qualitativa sobre as motivações que levaram a tamanha alta).
- Em Rondônia a divisão de Fabricação de produtos de minerais não-metálicos continuou neste período sendo um dos destaques, mas agora pela elevação mais significativa de seus Salários Industriais (44,9%) e do número de Pessoal Ocupado (36,26%), acompanhados pelas divisões de Fabricação de produtos de madeira e Fabricação de produtos diversos, registrando vários aumentos destoantes.
- Outras observações de baixas e altas expressivas nas divisões industriais de cada estado ainda podem ser vistoriadas nas tabelas deste estudo.
Referências: Seade(a), Seade(b)
Como citar este informe extensionista? (Padrão ABNT)
HENRIQUE, Daniel Christian; RIBEIRO, Arthur Fermiano Gallate. Evolução dos salários nas indústrias antes e durante a pandemia da Covid-19: uma análise nos estados da região norte dos impactos do número de pessoal ocupado e do Valor da Transformação Industrial (VTI). 2025. Desenvolvido por GPFA - Grupo de Pesquisa em Finanças Analíticas. Disponível em: https://www.gpfa.com.br/informes-extensionistas/resultados_regiao_norte. Acesso em: (colocar a data de seu acesso ao informe).