Contabilizando o acumulado até janeiro deste ano, nos últimos doze meses o preço do café moído simplesmente subiu cerca de 50%. Já o preço do café consumido fora de casa elevou aproximadamente 10% (Gazeta do Povo). Em fevereiro e início de março as altas continuaram progredindo. Uma das razões dessa forte elevação diz respeito ao clima mais seco no período, altas temperaturas e redução das chuvas nas regiões de alta produtividade (Notícias Agrícolas). No campo do mercado internacional, a situação é pior: o preço do café aumentou aproximadamente 95%, puxados pelos fatores climáticos do Brasil e Vietnã (duas grandes potências nas exportações de café) que tiveram suas últimas lavouras prejudicadas (Analistas). Desta forma, somando a contínua demanda global por café, quebras nas safras e aumento do dólar, a previsão é que o preço continue alto.
O GPFA, sempre atento aos movimentos do mercado e seus impactos nas finanças da população, já fez dois estudos relacionados às alterações dos preços do café simulando alterações climáticas em duas áreas de forte relevância na produção nacional: Espírito Santo (CLIQUE AQUI PARA LER) e Minas Gerais (CLIQUE AQUI PARA LER).
O Dieese divulgou que em fevereiro o café foi o principal responsável pela alta nos custos da cesta básica em 14 dentre as 17 capitais, seguido pelo tomate e o quilo da carne bovina de primeira. A maior alta do café foi em Floripa (23,81%). (Dieese).
O GPFA também já fez um estudo do quanto a variabilidade do preço do tomate afeta os custos da cesta básica brasileira (CLIQUE AQUI PARA LER) - sendo este alimento um dos mais voláteis e consequentemente também um dos mais impactantes no bolso dos brasileiros.
Apesar dos ovos não fazerem parte dos alimentos da cesta básica analisada pelo Dieese, o brasileiro sentiu fortemente no bolso no mês de fevereiro os aumentos do seus preços (sendo este um dos principais alimentos substitutos da carne): foi o maior aumento em um mês nos últimos 22 meses, equivalente a 69% dentre janeiro e fevereiro para o revendedor (ovos brancos) e de 12% para o consumidor final. No ano, já acumula alta de 57,5% para os brasileiros. O principal culpado: o forte calor do mês que reduziram as produções de ovos, a alta do preço do milho e o aumento da demanda dos Estados Unidos com a gripe aviária que se espalha por lá (BM&C News, UOL Economia(b), CNN Money).
Seguindo a decisão da reunião de dezembro do ano passado, no final de janeiro o Copom decidiu de forma unânime aumentar a taxa básica de juros da economia para 13,25% a.a. Portanto, essa foi a quarta alta consecutiva deste novo ciclo. As justificativas não mudaram muito: cenário externo incerto, expectativas de inflação não muito boas e hiato do produto positivo. Destaque especial também foi dado a relevância de se manter uma política fiscal controlada (InvestTalk).
O Fomc, nos EUA, por sua vez, freou o ciclo de cortes das taxas do Fed Funds, mantendo-as no no mesmo patamar: na banda entre 4,25% a 4,5% ao ano. A principal justificativa foi a observação dos preços em valores ainda elevados (Money Times).
Os altos valores da Selic em 2024 não desestimularam os empréstimos. O total de crédito ofertado em 2024 foi de R$ 6,42 trilhões contra o R$ 5,79 trilhões no ano de 2023. O crédito às famílias passou de 10,5% em 2023 para 12,1% em 2024, enquanto que o crédito às empresas expandiu de 4,7% em 2023 para 9,1% em 2024 (CNN Brasil). Resta saber se no futuro próximo haverá ou não a expansão da inadimplência frente as altas acumuladas simultaneamente de juros e empréstimos.
Como visto, no centro constante das atenções do Copom e do Governo mantém-se o controle da inflação (apesar de algumas possíveis e aparentes contradições entre as decisões de ambas as partes), principalmente com as altas que os alimentos vêm contabilizando. Porém, no mês de janeiro o IPCA registrou apenas 0,16%, a menor taxa observada desde o começo do Plano Real, em 1994. Como assim? O responsável foi o puxão gerado pela baixa de 14% nas tarifas de energia elétrica residenciais - oriundas de bônus da Hidrelétrica de Itaipu gerados por saldos positivos na venda de energia (IBGE, Isto É Dinheiro).
Até o momento a inflação oficial de fevereiro ainda não foi divulgada pelo IBGE. Então vamos de prévia: o IPCA-15. A forte baixa do mês anterior foi abolida e contabilizou alta de 1,23%, puxado pelo grupo de Habitação (alta prevista de 4,34%) e de Educação (alta prevista de 4,78%) (agência gov(a)) - este último vem a ser um setor que tradicionalmente puxa altas no mês, decorrida a retomada das aulas.
E em janeiro uma suposta tributação do Pix foi o comentário geral dentre toda a população. Porém, somente tratou-se da disseminação de uma fake news. O que houve foi a criação de uma nova norma na qual o Fisco tenta melhorar a transparência fiscal e evitar a evasão tributária. Para tanto, as operadoras de cartões de crédito e instituições financeiras precisarão informar à Receita toda transferência ou pagamento acima de R$ 5 mil para CPFs ou R$ 15 mil para CNPJs. Tudo sem impostos (Exame(b)).
A Gol, que há exatos um ano pediu recuperação judicial nos Estados Unidos, agora está em processo de fusão com a Azul, que também tem mantido um alto endividamento e problemas arrecadatórios. Parece ser a “salvação da lavoura” para ambas que têm sofrido desde as restrições da pandemia, com as flutuações do barril de petróleo e com as altas significativas do dólar. Após concretizarem o negócio, pretendem recuperar suas finanças e ir além: lançarem-se na árdua disputa do mercado global de aviação (E-investidor).
E em janeiro foi ainda anunciado a Avion Express, pertencente ao grupo Irlandês Avia Solutions, para ingressar no mercado brasileiro. Seu foco, todavia, será na prestação de serviços para as demais (e poucas) empresas do mercado aéreo nacional, arrendando estas companhias (Gazeta de Alagoas).
Assim que tomou posse na presidência dos EUA, Donald Trump passou a fazer um embate tarifário com o mundo, começando pelos seus longínquos parceiros comerciais: México e Canadá foram taxados em 25% sobre suas exportações ao país (Correio Brazilense(b)). O Brasil não ficou de fora, sofrendo uma taxação de 25% sobre o aço e o alumínio exportados aos norte-americanos, a vigorar a partir de 2 de abril (Correio Braziliense(a)). As tarifas aplicadas sobre a China, por sua vez, não ficaram por menos: retribuíram com igual taxação ou maior sobre os produtos norte-americanos: 15% sobre trigo, milho e algodão e 10% sobre soja e laticínios. O Brasil, como um gigante agro em todas estas vertentes, deve ficar atento às modificações do mercado global a fim de conseguir aproveitar oportunidades de novas demandas nestes nichos (AviSite).
Donald Trump não parou apenas nas tarifas neste começo de mandato. O bate boca ao vivo presenciado pelo mundo inteiro entre os presidentes Zelensky e Trump pode gerar o fim dos recursos americanos ao embate ucraniano contra a invasão russa. A resposta europeia de apoio a Zelensky veio em seguida: um plano de US$ 840 bilhões para o rearmamento europeu.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, foi enfática após o constrangedor embate público entre os presidentes: “a Europa precisa se rearmar com urgência”. A Alemanha, por exemplo, já planeja seu maior rearmamento desde a segunda guerra mundial, furando seu “freio da dívida” da constituição (um tipo de teto de gastos) e permitindo desembolsos de US$ 107 bilhões (100 bilhões de euros) (O Tempo). Essa maior flexibilização fiscal foi proposta ainda no plano europeu de rearmamento para outros países do continente. O presidente da França, anunciou recentemente que a Europa precisa se rearmar pois enxerga a Rússia como uma potencial ameaça ao seu país (Hoje no Mundo Militar, Band News, UOL Internacional)
No Brasil a troca de maquinários é incentivada através do abatimento de sua depreciação nas declarações do IR e do CSLL ao longo de até 10 anos (ou seja, 10% de depreciação anual). A fim de dar um impulso maior ao segmento, neste começo ano de foi lançado um Projeto de Lei (PL) com a implantação de uma depreciação “superacelerada” para máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, com incentivos que podem chegar a R$ 3,4 bilhões entre 2024 e 2025. Neste programa, todo maquinário adquirido em 2025 poderá ser depreciado para abatimento no IR em 50% no primeiro ano e outros 50% no segundo ano (Mundo do Plástico, Senado Notícias).
Assim, os professores de Engenharia Econômica e Análise de Investimentos precisarão fazer mais exercícios para seus alunos com as atualizações dos próximos dois anos relacionados aos benefícios fiscais na troca de equipamentos!
E o Ibov que havia encerrado 2024 com uma série de retrações ao longo dos últimos meses, finalizou o ano com 10,36% de desvalorização. O primeiro mês de 2025, por sua vez, reverteu esse processo, encerrando com um forte ganho de 5% no Ibov – o ganho mais expressivo desde agosto do ano passado (Exame(a)). Mas foi por pouco tempo. Em fevereiro já houve nova reversão, com o índice finalizando perdas de 2,64% (UOL Economia(a)).
agência gov, Analistas, AviSite, BM&C News, Correio Braziliense(a), Correio Braziliense(b) - impresso de 05 de março, CNN Money, CNN Brasil, Dieese, Exame(a), Exame(b), Gazeta de Alagoas, Gazeta do Povo, E-investidor, gov.br, IBGE, InvestTalk, Isto É Dinheiro, Money Times, Mundo dos Plásticos, Notícias Agrícolas, O Tempo, Senado Notícias, UOL Economia(a), UOL Economia(b).